Medições da Qualidade do Ar Interior, Ruído e Iluminação
No âmbito da unidade
curricular de Estágio de Aprendizagem III foi proposto pelas tutoras de
estágio, Técnicas de Saúde Ambiental, a realização de um relatório referente às
medições efetuadas com o Engenheiro do Gabinete de Gestão de Risco.
Pretendeu-se com estas
medições o contacto e a utilização do equipamento de medição de parâmetros
ambientais, tais como qualidade do ar interior, ruído e iluminação, existentes
no Centro de Saúde do local onde me encontro a estagiar.
De seguida passarei a citar
em cada medição o que foi realizado, o equipamento utilizado e o local onde
decorreram as mesmas:
Medição
do Ruído
Local da Medição: Sala de Espera
Equipamento:
Sonómetro
Diariamente o ruido é
introduzido no ambiente. São os sons que provocam algum desconforto mental ou
físico, e resultam das vibrações irregulares que podem afetar o equilíbrio
sonoro, repercutindo-se sobre o sistema auditivo e funções orgânicas. O ruido
afeta o organismo humano de diversas formas e causa danos, não só a nível do
funcionamento auditivo, mas também nas atividades físicas, fisiológicas e
psicológicas do individuo.
Para a caraterização do
ruido ambiental utiliza-se três tipos de análise, que são o espaço, o tempo e a
frequência.
Existem muitas variáveis num
estudo desta natureza, tais como a definição dos locais de medição, do período
do dia, da duração da medição, entre outros.
A medição realizada teve a
duração de 10 min. e foi na sala de espera, uma vez que os trabalhadores já se
haviam queixado do ruído existente.
Segundo o Decreto-lei n.º9/2007 de 17 de Janeiro, Artigo 3º, a sala de espera é considerada uma «zona sensível», que se define como “a área definida em plano municipal de
ordenamento do território como vocacionada para uso habitacional, ou para
escolas, hospitais ou similares, ou espaços de lazer, existentes ou previstos,
podendo conter pequenas unidades de comércio e de serviços destinadas a servir
a população local, tais como cafés e outros estabelecimentos de restauração,
papelarias e outros estabelecimentos de comércio tradicional, sem funcionamento
no período noturno.”
O Engenheiro referiu que estas
medições devem ser contínuas durante as 8h de trabalho para que a avaliação
possa ser mais precisa, sendo o valor tomado como referência para a comodidade dos
trabalhadores de 80dB por 8horas de trabalho.
A norma portuguesa NP 1730
refere que a duração da medição deve ser escolhida de modo a abranger variações
significativas da emissão e transmissão do ruído ao longo do período de
referência ou do intervalo de tempo de longa duração. E, tendo em conta as
situações mais gerais de ruído ambiente, sugerem-se para medições interiores o
período de 30 min.
Deve-se ter em atenção a
colocação do sonómetro, uma vez que este deve ser colocado a uma altura ente
1,2 e 1,5m acima do solo, pelo menos a 1m das paredes e 1,5m das janelas (NP1730).
Todas as medições de ruído
que foram realizadas pelo Engenheiro não demonstram nenhum valor de
incomodidade para os trabalhadores, mas segundo o mesmo existem diversos
parâmetros que podem influenciar, como a acústica do local, o pé direito ser
muito alto, o facto de as paredes serem revestidas até 1,5m por pedra mármore
que faz com que o som reflita nas mesmas, entre outros. Uma das soluções que
poderiam ser implementadas seria um gabinete coberto para os trabalhadores, com
uma abertura para permitir o contato com os utentes. Medida esta já referida a
entidades superiores, que não foram recetivas, uma vez que ao cobrirem o local
do trabalhador este não teria um contacto tão direto com o utente, o que poderia
dificultar a comunicação e a aproximação com os mesmos.
Medição
da Qualidade do Ar Interior
Local de Medição: Sala de Espera, Sala de Tratamentos e Gabinete de Enfermagem Infantil.
Equipamento:
EVM – 7 (Quest Technologies)
(mede os compostos orgânicos
voláteis (COVs), dióxido de carbono (CO2), gases tóxicos e velocidade
do ar)
Os problemas relacionados
com a poluição do ar interior podem afetar diferentes tipos de edifícios, que
incluem habitações, escolas, escritórios, unidades de prestação de cuidados de
saúde e outros estabelecimentos públicos e comerciais.
A qualidade do ar interior é
um facto de grande importância em locais de trabalho, uma vez que pode ter
influência na saúde, conforto, bem-estar e produtividade dos ocupantes de um
edifício.
A avaliação da
qualidade do ar interior em estabelecimentos de saúde, designadamente
das salas de espera e de tratamento é um dos fatores fundamentais para o
conforto e produtividade dos trabalhadores e utentes.
Para a realização da medição
da qualidade do ar devemos colocar o equipamento no centro do local onde é
feita a medição, e a uma altura de 1,5m acima do pavimento. Também devemos ter
em atenção se o EVM – 7 não está diretamente em baixo ou em frente dos
difusores de fornecimento de ar, ventoinhas, ou aquecedores, para não
influenciar as medições realizadas.
Durante as medições, foi-nos
indicado pelo Engenheiro que se o equipamento acusar valores de dióxido de
carbono (CO2) elevados, é sinónimo de uma má renovação do ar. Tal
não ocorreu, mas acabámos por aconselhar os trabalhadores que devem abrir as
janelas para existir uma boa renovação do mesmo.
Estas medições foram
realizadas durante cerca de 10 min., uma vez que serviu apenas para termos uma ideia
de como são efetuados este tipo de medições. Para uma informação mais precisa
deveriam ser realizadas medições com um período mínimo de 30min.
Em Portugal as concentrações
de poluentes nas atmosferas de trabalho são reguladas pela norma portuguesa NP1796 de Setembro de 2007, que apresenta os valores limite de exposição (VLE)
para cada agente químico, na perspetiva prática da Higiene e Segurança no
Trabalho, para prevenir e controlar os riscos potenciais para a saúde dos
trabalhadores, não perdendo de vista que os níveis de contaminação devem ser
sempre o mais baixos possível nos locais de trabalho.
Por definição, os valores
limites de exposição (VLE) representam a “concentração de agentes químicos à
qual se considera que praticamente todos os trabalhadores possam estar
expostos, dia após dia, sem efeitos adversos para a saúde.”
Medição
da Iluminação
Local da Medição: Sala de Espera e Sala de Tratamentos
Equipamento: Luxímetro
(mede a iluminâcia)
Vivemos geralmente
confinados em espaços (trabalho, transportes, escolas, entre outros), pelo que,
muitas vezes, não nos apercebemos de importância real da iluminação na nossa
saúde.
Uma iluminação correta do
local de trabalho contribui de um modo significativo para que as condições do
mesmo não provoquem tensões psíquicas e fisiológicas aos trabalhadores,
proporcionando dessa forma o aumento de produtividade, motivação, entre outros.
Se a iluminação não for a
mais adequada, verifica-se um cansaço visual decorrente do esforço realizado.
Segundo a norma DIN 5035 –
2: 1990, que descreve detalhadamente os níveis de iluminação com exemplos de
atividades, os valores que são considerados numa medição de iluminação, num
local de trabalho que realizam trabalho de escritório, são entre 500 a 750 lux.
Para a realização da
medição, o Luxímetro deverá ser colocado no local de trabalho, nomeadamente
junto ao teclado e monitor, e no caso da sala de tratamentos, foi também
colocado na bancada de trabalho, sempre com o trabalhador no próprio local.
O objetivo de ser colocado o
trabalhador no local da medição, é para termos uma melhor perceção da forma
como o mesmo se encontram exposto.
É pertinente referir que á
medida que o nível de iluminação sobe, aumenta o rendimento no trabalho e
diminui a fadiga visual.
Documentos de Referência:
* Ruído:
- norma portuguesa NP 1730 de 1996 - "Acústica. Descrição e Medição do ruído ambiente."
- Carvalhos, Maria Teresa, (2010-2011), "O Ruído e o Homem", PowerPoint do Curso de Saúde Ambiental, ESS - IPBEJA
* Qualidade do Ar Interior:
-
-
- norma portuguesa NP1796 de Setembro de 2007
* Iluminação:
- MIGUEL,A. S., (Jan. 2010), "Manual de Higiene e Segurança do Trabalho", Porto Editora
- Branco, António, (2011-2012), "Iluminação", PowerPoint do Curso de Saúde Ambiental, ESS - IPBEJA
- norma DIN 5035 - 2: 1990



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