quinta-feira, 29 de novembro de 2012


Medições da Qualidade do Ar Interior, Ruído e Iluminação


No âmbito da unidade curricular de Estágio de Aprendizagem III foi proposto pelas tutoras de estágio, Técnicas de Saúde Ambiental, a realização de um relatório referente às medições efetuadas com o Engenheiro do Gabinete de Gestão de Risco.
Pretendeu-se com estas medições o contacto e a utilização do equipamento de medição de parâmetros ambientais, tais como qualidade do ar interior, ruído e iluminação, existentes no Centro de Saúde do local onde me encontro a estagiar.
De seguida passarei a citar em cada medição o que foi realizado, o equipamento utilizado e o local onde decorreram as mesmas:
 
 
Medição do Ruído
 
Local da Medição: Sala de Espera
Equipamento: Sonómetro
 
 

Diariamente o ruido é introduzido no ambiente. São os sons que provocam algum desconforto mental ou físico, e resultam das vibrações irregulares que podem afetar o equilíbrio sonoro, repercutindo-se sobre o sistema auditivo e funções orgânicas. O ruido afeta o organismo humano de diversas formas e causa danos, não só a nível do funcionamento auditivo, mas também nas atividades físicas, fisiológicas e psicológicas do individuo.
Para a caraterização do ruido ambiental utiliza-se três tipos de análise, que são o espaço, o tempo e a frequência.
Existem muitas variáveis num estudo desta natureza, tais como a definição dos locais de medição, do período do dia, da duração da medição, entre outros.
A medição realizada teve a duração de 10 min. e foi na sala de espera, uma vez que os trabalhadores já se haviam queixado do ruído existente.
Segundo o Decreto-lei n.º9/2007 de 17 de Janeiro, Artigo 3º, a sala de espera é considerada uma «zona sensível», que se define como “a área definida em plano municipal de ordenamento do território como vocacionada para uso habitacional, ou para escolas, hospitais ou similares, ou espaços de lazer, existentes ou previstos, podendo conter pequenas unidades de comércio e de serviços destinadas a servir a população local, tais como cafés e outros estabelecimentos de restauração, papelarias e outros estabelecimentos de comércio tradicional, sem funcionamento no período noturno.”
O Engenheiro referiu que estas medições devem ser contínuas durante as 8h de trabalho para que a avaliação possa ser mais precisa, sendo o valor tomado como referência para a comodidade dos trabalhadores de 80dB por 8horas de trabalho.
A norma portuguesa NP 1730 refere que a duração da medição deve ser escolhida de modo a abranger variações significativas da emissão e transmissão do ruído ao longo do período de referência ou do intervalo de tempo de longa duração. E, tendo em conta as situações mais gerais de ruído ambiente, sugerem-se para medições interiores o período de 30 min.
Deve-se ter em atenção a colocação do sonómetro, uma vez que este deve ser colocado a uma altura ente 1,2 e 1,5m acima do solo, pelo menos a 1m das paredes e 1,5m das janelas (NP1730).
Todas as medições de ruído que foram realizadas pelo Engenheiro não demonstram nenhum valor de incomodidade para os trabalhadores, mas segundo o mesmo existem diversos parâmetros que podem influenciar, como a acústica do local, o pé direito ser muito alto, o facto de as paredes serem revestidas até 1,5m por pedra mármore que faz com que o som reflita nas mesmas, entre outros. Uma das soluções que poderiam ser implementadas seria um gabinete coberto para os trabalhadores, com uma abertura para permitir o contato com os utentes. Medida esta já referida a entidades superiores, que não foram recetivas, uma vez que ao cobrirem o local do trabalhador este não teria um contacto tão direto com o utente, o que poderia dificultar a comunicação e a aproximação com os mesmos.
 
 
 
Medição da Qualidade do Ar Interior
 

Local de Medição: Sala de Espera, Sala de Tratamentos e Gabinete de Enfermagem Infantil.

Equipamento: EVM – 7 (Quest Technologies)
(mede os compostos orgânicos voláteis (COVs), dióxido de carbono (CO2), gases tóxicos e velocidade do ar)
 

 

Os problemas relacionados com a poluição do ar interior podem afetar diferentes tipos de edifícios, que incluem habitações, escolas, escritórios, unidades de prestação de cuidados de saúde e outros estabelecimentos públicos e comerciais.
A qualidade do ar interior é um facto de grande importância em locais de trabalho, uma vez que pode ter influência na saúde, conforto, bem-estar e produtividade dos ocupantes de um edifício.
A avaliação da qualidade do ar interior em estabelecimentos de saúde, designadamente das salas de espera e de tratamento é um dos fatores fundamentais para o conforto e produtividade dos trabalhadores e utentes.
Para a realização da medição da qualidade do ar devemos colocar o equipamento no centro do local onde é feita a medição, e a uma altura de 1,5m acima do pavimento. Também devemos ter em atenção se o EVM – 7 não está diretamente em baixo ou em frente dos difusores de fornecimento de ar, ventoinhas, ou aquecedores, para não influenciar as medições realizadas.
Durante as medições, foi-nos indicado pelo Engenheiro que se o equipamento acusar valores de dióxido de carbono (CO2) elevados, é sinónimo de uma má renovação do ar. Tal não ocorreu, mas acabámos por aconselhar os trabalhadores que devem abrir as janelas para existir uma boa renovação do mesmo.
Estas medições foram realizadas durante cerca de 10 min., uma vez que serviu apenas para termos uma ideia de como são efetuados este tipo de medições. Para uma informação mais precisa deveriam ser realizadas medições com um período mínimo de 30min.
Em Portugal as concentrações de poluentes nas atmosferas de trabalho são reguladas pela norma portuguesa NP1796 de Setembro de 2007, que apresenta os valores limite de exposição (VLE) para cada agente químico, na perspetiva prática da Higiene e Segurança no Trabalho, para prevenir e controlar os riscos potenciais para a saúde dos trabalhadores, não perdendo de vista que os níveis de contaminação devem ser sempre o mais baixos possível nos locais de trabalho.
Por definição, os valores limites de exposição (VLE) representam a “concentração de agentes químicos à qual se considera que praticamente todos os trabalhadores possam estar expostos, dia após dia, sem efeitos adversos para a saúde.”
 

 
Medição da Iluminação
 
Local da Medição: Sala de Espera e Sala de Tratamentos
Equipamento: Luxímetro (mede a iluminâcia)
 

 

Vivemos geralmente confinados em espaços (trabalho, transportes, escolas, entre outros), pelo que, muitas vezes, não nos apercebemos de importância real da iluminação na nossa saúde.
Uma iluminação correta do local de trabalho contribui de um modo significativo para que as condições do mesmo não provoquem tensões psíquicas e fisiológicas aos trabalhadores, proporcionando dessa forma o aumento de produtividade, motivação, entre outros.
Se a iluminação não for a mais adequada, verifica-se um cansaço visual decorrente do esforço realizado.
Segundo a norma DIN 5035 – 2: 1990, que descreve detalhadamente os níveis de iluminação com exemplos de atividades, os valores que são considerados numa medição de iluminação, num local de trabalho que realizam trabalho de escritório, são entre 500 a 750 lux.
Para a realização da medição, o Luxímetro deverá ser colocado no local de trabalho, nomeadamente junto ao teclado e monitor, e no caso da sala de tratamentos, foi também colocado na bancada de trabalho, sempre com o trabalhador no próprio local.
O objetivo de ser colocado o trabalhador no local da medição, é para termos uma melhor perceção da forma como o mesmo se encontram exposto.
É pertinente referir que á medida que o nível de iluminação sobe, aumenta o rendimento no trabalho e diminui a fadiga visual.
 
 
Uma boa iluminação, qualidade do som e qualidade do ar interior, contribuem para uma boa qualidade de vida dos trabalhadores, gerando assim maior desempenho e produtividade.



Documentos de Referência:
* Ruído:
* Qualidade do Ar Interior:
* Iluminação:
  • MIGUEL,A. S., (Jan. 2010), "Manual de Higiene e Segurança do Trabalho", Porto Editora
  • Branco, António, (2011-2012), "Iluminação", PowerPoint do Curso de Saúde Ambiental, ESS - IPBEJA
  • norma DIN 5035 - 2: 1990

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