sexta-feira, 9 de novembro de 2012


Programa REVIVE - Projeto Rede de Vigilância de Vetores


O Projeto Rede de Vigilância de Vetores – REVIVE teve inicio em 2008, e resultou da colaboração entre a Direcção-Geral da Saúde, a Administração Regional de Saúde e o Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge / Centro de Estudos e Vetores de Doenças Infecciosas. Este Projeto tem como objetivo principal a determinação do nível de risco associado à presença de culicídeos (mosquitos) em Portugal.
Em 2011 foi reformulado e sujeito a novo protocolo entre as entidades supracitadas, estendendo-se o projeto também à caracterização dos ixodídeos (carraças).
Em suma, este Projeto tem como objetivo principal antecipar e prevenir ou controlar as doenças transmitidas por carraças e mosquitos em humanos e animais.

 
No âmbito do Projeto REVIVE, os Técnicos de Saúde Ambiental recorrem a técnicas específicas para efetuar a recolha de mosquitos adultos e larvas. Após a recolha dos mesmos, estes serão entregues ao Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, para serem alvo de identificação e estudos.

Os mosquitos são o grupo de artrópodes mais importante como vetores de agentes de doenças em medicina humana e veterinária.
As espécies com importância na Saúde Pública estão contidas nas sub-famílias Anophelinae e Culicinae.

Desta forma, a Unidade de Saúde Pública está a contribuir para serem tomadas medidas de ação de vigilância e controle das doenças transmitidas aos seres humanos pelos insetos.

 
 "Após vários estudos, até ao presente ano, os resultados obtidos evidenciam que, apesar das diversas alterações climáticas serem favoráveis à proliferação das espécies de vetores autóctones e ao estabelecimento de outras espécies que habitualmente só sobreviveriam em climas tropicais, este efeito ainda não causa impacto para a Saúde Pública."

 Durante as semanas de estágio, tivemos a oportunidade de efetuarmos colheita de mosquitos e larvas, bem como verificarmos a acondicionamento e envio dos mesmos para o Centro de Estudos e Vetores de Doenças Infecciosas.
Antes de ser iniciada a colheita é extremamente importante analisar vários parâmetros, tais como a escolha dos locais de captura, os horários de captura, a recolha de dados ambientais e o envio das amostras capturadas.

No âmbito do Projeto REVIVE, a colheita de larvas e mosquitos é realizada entre Maio e Outubro, e deverá ser feita durante duas noites consecutivas (2ªf e 3ªf), com periodicidade de 15 em 15 dias.

Desta forma, antes de se realizar a colheita de mosquitos teve-se atenção ao local onde foi colocada a armadilha para que se pudesse apanhar o máximo de mosquitos. De seguida, irei evidenciar os passos da colheita de mosquitos imaturos (larvas) e de mosquitos adultos.



COLHEITA DE MOSQUITOS IMATUROS (LARVAS) E MOSQUITOS ADULTOS
 



Mosquitos Imaturos (larvas)


As fases imaturas do mosquito após a eclosão do ovo, a larva e a pupa, são sempre aquáticas, embora respirem e portanto tenham necessidade de voltar à superfície. Os habitats onde as larvas se desenvolvem são muito variados, desde poços, lagos, recipientes abandonados, havendo espécies que se restringem a determinados habitats e outras que estão adaptadas a várias condições ecológicas.

As larvas de mosquito raramente são encontradas em águas correntes. Exigem normalmente águas paradas e pouco profundas. A nossa colheita foi realizada num lago existente num Jardim Público.

 Protocolo de Colheita de Mosquitos Imaturos (larvas)

Material:
  • Camaroeiro;
  • Garrafão de Recolha.

Método:

1.    No local procurar os vários criadouros disponíveis e pesquisar a presença de larvas;
2.    Com o camaroeiro, cuidadosamente e lentamente submerso em água, procede-se à colheita das larvas e à transferência das mesmas para o Garrafão de Recolha;
3.    Preenchimento do Boletim de Colheita de Larvas, que deve ser preenchido para cada local e data.

 

Mosquitos Adultos

Os Mosquitos Adultos de várias espécies são inativos durante o dia, encontrando-se em repouso em lugares escuros, frescos e húmidos, enquanto outras espécies têm atividade diurna ou apenas crepuscular. As espécies em repouso, que são encontradas na vegetação, no interior de casa, estábulos, etc., podem ser capturadas com uso de aspiradores.
Os mosquitos com atividade crepuscular e noturna podem ser capturados com armadilhas luminosas do tipo CDC (Centers for Disease Control). A nossa captura foi realizada com este tipo de armadilha, em que se colocou perto da mesma gelo seco dentro de um saco, que serve como agente atrativo dos mosquitos, uma vez que liberta dióxido de carbono (CO2).
A armadilha foi colocada ao final da tarde e recolhida na manhã do dia seguinte, para que não estejam expostas ao sol, uma vez que o calor excessivo mata os mosquitos.

 Protocolo de Captura de Mosquitos Adultos

Material:
  • Armadilha tipo CDC (Centers for Disease Control) e recipiente coletor;
  • Bateria carregada;
  • Gelo Seco e saco;
  • Higrómetro.

Método:

1.    Colocar a armadilha com o saco coletor e ligar à bateria;
2.    Verificar se as portas metálicas basculantes se encontram na posição fechada e testar várias vezes se abrem e voltam à posição inicial;
3.    Colocar o saco com o gelo seco na proximidade da armadilha;
4.    Colocar o Higrómetro. Apontar os dados importantes para a folha de campo, bem como outras observações importantes (tipo de habitat, proximidade de água, entre outros);
5.    Na manhã seguinte recolher com cuidado o recipiente coletor, evitando fugas dos insetos capturados. Registar os dados referentes à temperatura e humidade.

 
 
ENVIO DAS AMOSTRAS

As amostras da colheita dos Mosquitos Imaturos (larvas) foram enviadas em frascos de plástico com água do local de onde foram recolhidos, devidamente fechados e identificados.

As amostras da captura dos Mosquitos Adultos foram enviadas nos copos coletores devidamente acondicionados e identificados.
Para o envio, ambas as amostras foram bem acondicionadas numa caixa térmica em esferovite com um termoacumulador e enviadas por correio juntamente com os boletins das colheitas, para o Centro de Estudos e Vetores de Doenças Infecciosas.

 

Na minha opinião esta experiência foi bastante enriquecedora, uma vez que tive a possibilidade de assistir e cooperar em todos os procedimentos e técnicas realizadas nas colheitas dos Mosquitos Imaturos e Adultos, dos quais ainda nunca tinha tido contacto. Como futura Técnica de Saúde Ambiental penso que este tipo de atividade é uma mais-valia no controlo e prevenção de doenças que possam por em causa a Saúde Pública.



Documentos de Referência:

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