Programa REVIVE - Projeto Rede de Vigilância de Vetores
O Projeto Rede de Vigilância
de Vetores – REVIVE teve inicio em 2008, e resultou da colaboração entre a
Direcção-Geral da Saúde, a Administração Regional de Saúde e o Instituto
Nacional Dr. Ricardo Jorge / Centro de Estudos e Vetores de Doenças
Infecciosas. Este Projeto tem como objetivo principal a determinação do nível
de risco associado à presença de culicídeos (mosquitos) em Portugal.
Em 2011 foi reformulado e
sujeito a novo protocolo entre as entidades supracitadas, estendendo-se o
projeto também à caracterização dos ixodídeos (carraças).
Em suma, este Projeto tem
como objetivo principal antecipar e prevenir ou controlar as doenças
transmitidas por carraças e mosquitos em humanos e animais.
No âmbito do Projeto REVIVE, os Técnicos de Saúde
Ambiental recorrem a técnicas específicas para efetuar a recolha de mosquitos
adultos e larvas. Após a recolha dos mesmos, estes serão entregues ao Instituto
Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, para serem alvo de identificação e
estudos.
Os mosquitos são o grupo de artrópodes mais importante
como vetores de agentes de doenças em medicina humana e veterinária.
As espécies com importância na Saúde Pública estão
contidas nas sub-famílias Anophelinae
e Culicinae.
Desta forma, a Unidade de Saúde Pública está a
contribuir para serem tomadas medidas de ação de vigilância e controle das
doenças transmitidas aos seres humanos pelos insetos.
Antes de ser iniciada a colheita é extremamente
importante analisar vários parâmetros, tais como a escolha dos locais de
captura, os horários de captura, a recolha de dados ambientais e o envio das
amostras capturadas.
No âmbito do Projeto REVIVE, a colheita de larvas e
mosquitos é realizada entre Maio e Outubro, e deverá ser feita durante duas
noites consecutivas (2ªf e 3ªf), com periodicidade de 15 em 15 dias.
Desta forma, antes de se realizar a colheita de
mosquitos teve-se atenção ao local onde foi colocada a armadilha para que se
pudesse apanhar o máximo de mosquitos. De seguida, irei evidenciar os passos da
colheita de mosquitos imaturos (larvas) e de mosquitos adultos.
COLHEITA DE MOSQUITOS IMATUROS (LARVAS) E MOSQUITOS
ADULTOS
Mosquitos Imaturos (larvas)
As fases imaturas do mosquito após a eclosão do ovo, a
larva e a pupa, são sempre aquáticas, embora respirem e portanto tenham necessidade
de voltar à superfície. Os habitats onde as larvas se desenvolvem são muito
variados, desde poços, lagos, recipientes abandonados, havendo espécies que se
restringem a determinados habitats e outras que estão adaptadas a várias
condições ecológicas.
As larvas de mosquito raramente são encontradas em
águas correntes. Exigem normalmente águas paradas e pouco profundas. A nossa
colheita foi realizada num lago existente num Jardim Público.
Material:
- Camaroeiro;
- Garrafão de Recolha.
Método:
1. No local
procurar os vários criadouros disponíveis e pesquisar a presença de larvas;
2. Com o
camaroeiro, cuidadosamente e lentamente submerso em água, procede-se à colheita
das larvas e à transferência das mesmas para o Garrafão de Recolha;
3. Preenchimento
do Boletim de Colheita de Larvas, que deve ser preenchido para cada local e
data.
Mosquitos Adultos
Os Mosquitos Adultos de várias espécies são inativos
durante o dia, encontrando-se em repouso em lugares escuros, frescos e húmidos,
enquanto outras espécies têm atividade diurna ou apenas crepuscular. As
espécies em repouso, que são encontradas na vegetação, no interior de casa,
estábulos, etc., podem ser capturadas com uso de aspiradores.
Os mosquitos com atividade crepuscular e noturna podem
ser capturados com armadilhas luminosas do tipo CDC (Centers for Disease
Control). A nossa captura foi realizada com este tipo de armadilha, em que se
colocou perto da mesma gelo seco dentro de um saco, que serve como agente
atrativo dos mosquitos, uma vez que liberta dióxido de carbono (CO2).
A armadilha foi colocada ao final da tarde e recolhida
na manhã do dia seguinte, para que não estejam expostas ao sol, uma vez que o
calor excessivo mata os mosquitos.
Material:
- Armadilha tipo CDC (Centers for Disease Control) e recipiente coletor;
- Bateria carregada;
- Gelo Seco e saco;
- Higrómetro.
Método:
1. Colocar a
armadilha com o saco coletor e ligar à bateria;
2. Verificar se
as portas metálicas basculantes se encontram na posição fechada e testar várias
vezes se abrem e voltam à posição inicial;
3. Colocar o
saco com o gelo seco na proximidade da armadilha;
4. Colocar o Higrómetro.
Apontar os dados importantes para a folha de campo, bem como outras observações
importantes (tipo de habitat, proximidade de água, entre outros);
5. Na manhã
seguinte recolher com cuidado o recipiente coletor, evitando fugas dos insetos
capturados. Registar os dados referentes à temperatura e humidade.
As amostras da colheita dos Mosquitos Imaturos
(larvas) foram enviadas em frascos de plástico com água do local de onde foram
recolhidos, devidamente fechados e identificados.
As amostras da captura dos Mosquitos Adultos foram
enviadas nos copos coletores devidamente acondicionados e identificados.
Para o envio, ambas as amostras foram bem
acondicionadas numa caixa térmica em esferovite com um termoacumulador e
enviadas por correio juntamente com os boletins das colheitas, para o Centro de
Estudos e Vetores de Doenças Infecciosas.
Na minha opinião esta experiência foi bastante enriquecedora, uma vez que tive a possibilidade de assistir e cooperar em todos os procedimentos e técnicas realizadas nas colheitas dos Mosquitos Imaturos e Adultos, dos quais ainda nunca tinha tido contacto. Como futura Técnica de Saúde Ambiental penso que este tipo de atividade é uma mais-valia no controlo e prevenção de doenças que possam por em causa a Saúde Pública.
Documentos de Referência:
- ARS Alentejo, IP - Programa Revive
- Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA)
- Programa Nacional de Vigilância de Vetores Culicídeos - Manual de Ação de Formação REVIVE, Março 2008



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