domingo, 14 de outubro de 2012

Colheita de amostras de água destinada a consumo humano

 
A Unidade de Saúde Pública onde me encontro a estagiar, desenvolve regularmente programas de vigilância sanitária com o objetivo de garantir o bem-estar da população e proteger a sua saúde; identifica e avalia os fatores de risco, que possam por em causa o bem-estar da comunidade e colabora também com entidades competentes, fornecendo informações ao público em geral, possuindo uma base de dados atualizada de todas as ações desenvolvidas. (Regulamento Interno – U.S.P.)
 
A garantia da qualidade da água destinada ao consumo humano passa por assegurar que todos os parâmetros indesejáveis, tóxicos e perigosos respeitem os limites estabelecidos por lei. Essa garantia passa pela existência de uma monitorização constante contemplada na legislação que regula atualmente a Qualidade da Água para Consumo Humano, o Decreto-Lei nº306/2007, de 27 de Agosto, sendo levada a cabo por laboratórios acreditados para todos os parâmetros exigidos no controlo analítico.
 
Segundo a OrganizaçãoMundial da Saúde (OMS), a qualidade da água potável é um determinante importante para a Saúde Ambiental. A garantia da segurança da água potável é fundamental para a prevenção e controle de doenças transmitidas pela água.
A melhor forma de prevenção de algumas doenças passa por optar por origens de água controlada e com registo analítico. As doenças associadas à água continuam a ser um dos fatores mais importantes de morbilidade e mortalidade no mundo.
 
Segundo a EntidadeReguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR), “o controlo analítico da água inicia-se com a colheita da amostra, devendo esta ser efetuada de modo correto, ser recolhida no recipiente adequado e nas condições de conservação e transporte apropriados até à análise no laboratório”.
 
É pertinente mencionar que uma amostra de água pode ser comprometida pelo técnico que efetuar as colheitas, de duas formas: ao obter a amostra não representativa ou através da sua deficiente manipulação.
Para evitar contaminações, deve ser garantido que as mãos estão desinfetadas e que o frasco esterilizado só esteja aberto no período de tempo estritamente necessário para a recolha da amostra.
É importante garantir formação adequada aos técnicos que realizam o procedimento de colheita das amostras.
 
Antes de se iniciar qualquer procedimento de colheita, dever-se-á ter em atenção se:
  • Os reagentes e alguns materiais têm período de validade;
  • Todos os equipamentos estão devidamente calibrados;
  • Todos os frascos utilizados estão devidamente esterilizados (caso se aplique).
 
No dia anterior à colheita de águas, deverão ser preparados todos os recipientes necessários para a realização da mesma. Procede-se assim à identificação desses mesmos recipientes, bem como ao preenchimento do ponto de amostragem nas folhas de registo das colheitas.
 
São três as designações utilizadas para cada tipo de colheitas realizadas, e que serve também como auxilio para a organização do próprio serviço, tipos P1, P2 e P3.
As colheitas tipo P1 são as mais simples, referem-se a uma colheita bacteriológica (Bactérias coliformes, E. Coli, Enterococos, Condutividade, pH e desinfetante residual), as colheitas tipo P2 são mais abrangentes, no sentido que englobam todos os parâmetros da anterior (colheita bacteriológica) e também a colheita físico-química (Colónias a 22ºC, Clostridium, Nitratos, Oxidabilidade, Ferro, Alumínio, Colónias a 37ºC, Turvação, Amónio, Nitratos, Manganés e Flúor), e por fim as colheitas tipo P3 que são as mais complexas, uma vez que englobam todas as referidas anteriormente, incluindo uma colheita de análise de metais (Chumbo, Níquel e Cobre).
 
Durante esta terceira semana de estágio, as colheitas de amostras de Água para Consumo Humano realizadas foram todas do tipo P3, e os seus locais de colheita foram: um lar de idosos, um mini-mercado, um café e um lavadouro público.
Desta forma, irão ser apenas abordados os materiais necessários e o processo deste tipo de colheita.
Nas semanas seguintes serão então abordados os outros tipos de colheitas, nomeadamente os materiais e processos utilizados.
 
Materiais utilizados para colheita tipo P3:
 
ü  2 Garrafas de plástico de 1l;
ü  1 Frasco esterilizado de 500ml, com tiossulfato de sódio (1,8%).
 
Processo de colheitas de amostragem do tipo P3:
 
1º Na colheita de amostra onde se pretende analisar os metais (Chumbo, Níquel e Cobre), deve abrir-se a torneira e recolher o primeiro 1l de água, sem escoamento prévio;
 
2º Desinfetar a torneira, preferencialmente por flamejamento (com maçarico) ou se não for possível, por outro método adequado (hipoclorito ou álcool etílico);
 
3º Desinfetar as mãos com álcool ou desinfetante;
 
 
4º Abrir a torneira e deixar escoar durante 5 a 10 segundos com fluxo máximo, reduzir o fluxo e deixar correr a água o tempo suficiente para eliminar alguns vestígios que possam estar na torneira;
 
5º Encher o frasco esterilizado, sempre com a parte interior da tampa voltada para baixo, para garantir as condições de assepsia;
 
6º Encher a garrafa de 1l de água, com escoamento prévio;
 
7º Colocar os frascos das amostras em malas térmicas devidamente limpas e com termoacumuladores, de modo a garantir a correta refrigeração das amostras, até à entrega no laboratório;
 
8º Medir os parâmetros da Temperatura, pH e Cloro Residual, no local;
A Temperatura, pH e Cloro Residual, devem ser medidos no local da colheita, para que os valores não se alterem durante o transporte e acondicionamento das amostras. As medições em campo são um complemento dos resultados laboratoriais.
 
9º Preencher a ficha de campo.
Na folha de registo da amostragem deve constar, no mínimo, a seguinte informação:
ü  Identificação da entidade gestora;
ü  Descrição do ponto de amostragem;
ü  Data e hora da colheita;
ü  Data e hora de entrega das amostras no laboratório:
ü  Registo dos resultados dos parâmetros analisados no local;
ü  Indicação dos parâmetros ou grupo de parâmetros a analisar na amostra;
ü  Identificação de técnico responsável pela colheita da amostra.
 
 
Após a realização de toda a colheita, é feito o transporte das amostras para o Laboratório de Saúde Pública, para análise de todos os parâmetros acima referidos; posteriormente é enviado o boletim com os resultados e é feita a apreciação final pela Autoridade de Saúde.
 
 
Para uma melhor perceção do que foi referido, segue-se então o Processo de Amostragem:
 
 
“O procedimento de amostragem é um elemento importante do programa de controlo da qualidade da água para consumo humano, porque o resultado da análise não corresponderá ao valor real, mesmo que utilizado um método analítico rigoroso, se a amostra não for representativa da água a controlar.”
 
 
 
 
Documentos de Referência:
 

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